Brasil sediou pela primeira vez o Congresso Mundial de Medicina Tradicional, Complementar e Integrativa
O Rio de Janeiro se tornou o palco da vanguarda da saúde e do conhecimento ao sediar, entre os dias 15 e 18 de outubro, o 3º Congresso Mundial de Medicina Tradicional, Complementar e Integrativa (WCTCIM). Pela primeira vez, o evento científico e humanitário de tamanha magnitude ocorreu no Sul Global e na América Latina, marcando um ponto de inflexão na discussão global sobre a integração de diferentes sistemas de cuidado à saúde. O evento ocorreu com apoio da Organização Mundial de Saúde, Ministério da Saúde do Brasil, Conselho Federal de Enfermagem e de Biomedicina, entre outros.
O WCTCIM 2025 reuniu mais de 1000 participantes, incluindo pesquisadores, profissionais de saúde e autoridades de 70 países, consolidando-se como um espaço crucial para o intercâmbio de saberes. Durante os quatro dias de congresso, foram apresentados mais de 600 trabalhos de pesquisa, refletindo a crescente produção científica na área.
O Brasil teve forte representação na organização e nas apresentações. A Prof. Mariana Cabral Schveitzer (Unifesp) atuou como uma das seis presidentes do congresso e contribuiu com a apresentação de trabalhos desenvolvidos em parceria com o Núcleo de Evidências CARE da Unifesp. A professora Schveitzer discorreu sobre mapas de evidências em Medicinas Tradicionais, Complementares e Integrativas (MTCI), ferramenta essencial para guiar políticas públicas de saúde, lançou seu livro em espanhol Autocuidado La dinamica de la salud integral, e compartilhou o relato de experiência do curso de Autocuidado e Saúde Integral, oferecido pelo Projeto de Extensão e Grupo de Pesquisas CUIDAR da Unifesp -
https://youtu.be/GhlvDo69skU?si=2c6V1qCRRcvbf5-j
Outros pesquisadores de destaque da área também estiveram presentes. O Prof. Marcelo Demarzo (Unifesp) apresentou pesquisas sobre o impacto do Mindfulness na saúde, e a Prof. Marcia Yamamura (Unifesp) trouxe sua expertise em acupuntura. O Prof. Renato Leça, oftalmologista e professor da UNIFESP e Faculdade de Medicina do ABC, discorreu sobre Medicina Integrativa e suas aplicações, tema em que é coordenador de curso na graduação e referência nacional.
A doutoranda Lissandra Zanovello Fogaça também apresentou o protocolo do seu mega-mapa de intervenções de MTCI para a população idosa.
O WCTCIM 2025 foi palco de um importante reconhecimento para a pesquisa brasileira. A Prof. Mariana Cabral Schveitzer e o Prof. Renato Leça foram laureados – Scientific Article Honorable Mention 2023-2024 do ISCMR (International Society for Complementary Medicine Research), a principal organização internacional de pesquisadores em Medicina Tradicional, Complementar e Integrativa.
O reconhecimento foi conferido ao artigo científico: "Efficacy and safety of auricular acupuncture for depression: a randomized clinical tria" (Eficácia e segurança da acupuntura auricular para depressão: um ensaio clínico randomizado), publicado na revista JAMA Network Open em 2023. O estudo, que teve como primeiro autor Daniel de Oliveira Rodrigues (Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL), com coautoria de diversos pesquisadores, incluindo a Prof. Schveitzer, representa um marco na validação científica da acupuntura auricular como uma intervenção promissora e segura no tratamento da depressão.
A realização do Congresso no Brasil e o reconhecimento dos pesquisadores nacionais reforçam a posição do país como um polo de excelência na pesquisa e na prática das Medicinas Tradicionais, Complementares e Integrativas, reafirmando o compromisso com uma visão de saúde mais plural e integral.
Por Ligia Gabrielli
Uma pesquisa realizada pelo Departamento de Medicina Preventiva da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp) indicou que o bullying racial é um fator significativo para o início do uso de drogas, como álcool e tabaco, e que afeta, principalmente, as estudantes negras.
O estudo, de natureza quantitativa, intitulado Pior ainda para as meninas negras: a associação longitudinal do bullying racial com o início do uso de álcool e tabaco, envolveu estudantes do quinto e do sétimo anos de 30 escolas públicas estaduais da cidade de São Paulo e baseou-se em dois ensaios controlados randomizados por cluster conduzidos em 2019 pelo grupo Previna.
De acordo com a pesquisadora Alessandra A. S. Menezes, do Departamento de Medicina Preventiva da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e egressa (doutorado) do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da mesma instituição, os resultados indicam que o bullying racial é um fator significativo para o início do uso dessas substâncias, principalmente entre estudantes do sétimo ano. "Não conseguimos abordar integralmente o racismo enfrentado pelos(as) estudantes no ambiente escolar. Nosso foco foi direcionado ao racismo expresso na forma de bullying, que inclui ataques físicos, insultos pessoais, utilização de apelidos pejorativos, ameaças por diversos meios, expressões preconceituosas e isolamento social deliberado, todos motivados pela cor ou raça do(a) estudante alvo do bullying. No entanto, ainda que capte apenas uma parcela do racismo sofrido pelo(a) estudante, esta pesquisa é fundamental para compreendermos como o racismo afeta comportamentos de risco entre os(as) estudantes, especialmente entre as meninas negras, que apresentaram uma maior vulnerabilidade”, completa.
As análises foram criteriosas, envolveram 1.334 estudantes do quinto ano e 1.739 do sétimo ano e indicaram que, comparados aos(às) estudantes que não sofreram este tipo de bullying (mesmo que tivessem sofrido bullying por outros motivos), aqueles(as) que foram alvos de bullying motivado por racismo estavam mais propensos(as) a iniciar o consumo de álcool e tabaco durante os nove meses de acompanhamento. Entre estudantes do sétimo ano, o bullying racial predisse de forma significativa o início do uso dessas substâncias, com uma razão de risco de 1,36 para álcool e 1,81 para tabaco. Ao considerarmos a cor ou raça em conjunto com o sexo, as meninas negras (pardas e pretas) se revelaram mais vulneráveis.
Os dados destacam a urgência de enfrentar o racismo e questões de gênero nas estratégias de prevenção ao uso de drogas nas escolas. “É essencial que as políticas públicas e as intervenções escolares sejam baseadas em dados sólidos que representem as realidades dos(as) nossos(as) estudantes", declara a pesquisadora. "E neste caso, os dados sugerem que o combate ao racismo no contexto da escola pode minimizar episódios de bullying e promover ambientes escolares seguros e inclusivos para o desenvolvimento saudável de todos(as) os(as) estudantes, pois as evidências mostram que o bullying é prejudicial para perpetradores(as), alvos e testemunhas", completa.
O estudo foi publicado no American Journal of Epidemiology e está disponível na íntegra neste link.
Fonte: DCI/Unifesp (https://unifesp.br/noticias-anteriores/item/6952-pesquisa-da-unifesp-aponta-que-bullying-racial-esta-relacionado-ao-inicio-do-uso-de-alcool-e-tabaco)
O professor Arthur Chioro, docente do Departamento de Medicina Preventiva e do Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva, recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) pelos relevantes serviços prestados em sua trajetória como professor, pesquisador e gestor público ao SUS, ao ensino e à pesquisa.
A honraria foi aprovada por unanimidade pelo Conselho Universitário e entregue pelo Magnífico Reitor Professor Doutor Fernando Carvalho Dias, no dia 21/10, em solenidade realizada em São Luis-MA.
Arthur Chioro foi Ministro da Saúde e atualmente preside a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares - Ebserh, estatal vinculada ao MEC.
O Núcleo Hospitalar de Epidemiologia do Hospital São Paulo divulga o Boletim Epidemiológico 2023, que pode ser baixado neste link. A produção do material contou com a participação de diversos membros do DMP.
Em São Paulo 2 milhões passam fome e mais da metade vive em insegurança alimentar (O joio e o trigo)
O I Inquérito sobre a situação alimentar do município de São Paulo é resultado da articulação entre o Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional de São Paulo (Comusan-SP), o Observatório de Segurança Alimentar e Nutricional da Cidade de São Paulo (Obsan-PA) e pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Universidade Federal do ABC (UFABC).
Coordenação
José Raimundo Sousa Ribeiro Junior (UFABC)
Daniel Bandoni (UNIFESP)
Luciana Yuki Tomita (UNIFESP)
Apoio técnico e análise dos dados
Patrícia Paiva de Oliveira Galvão (UNIFESP)
Projeto gráfico
Luiza Lima Silva de Carli
Mapas
Mateus de Almeida Prado Sampaio e Luiza Lima Silva de Carli
Coleta de dados
Vox Populi
MEC concede Ordem Nacional do Mérito Educativo ao professor Arthur Chioro
O Ministério da Educação (MEC) condecorou 262 personalidades com a Ordem Nacional do Mérito Educativo, em cerimônia realizada no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília, no dia 14 de novembro – data em que a pasta completou 95 anos. A atual edição refere-se aos anos de 2024 e 2025 e dentre os agraciados estava o presidente da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), professor do Departamento de Medicina Preventiva e orientador do Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva da EPM/Unifesp, Arthur Chioro, homenageado como Grande Oficial.
As condecorações foram entregues pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e pelo ministro da Educação, Camilo Santana. “Se a gente não investir em educação, não tem como fazer esse país dar um salto de qualidade e se transformar num país desenvolvido e competitivo. Por isso, a gente tem que ter escola e educação de qualidade para todos", afirmou Lula.
Foram homenageados profissionais que se destacaram em ações para a melhoria e o desenvolvimento do ensino e da educação brasileira, com o objetivo de reconhecer o impacto dos trabalhos realizados e incentivar a continuidade de esforços em prol de uma educação de qualidade e com equidade. “As personalidades que hoje recebem essa comenda e as que estão aqui representadas no palco simbolicamente têm um papel fundamental na construção do Brasil que queremos”, ressaltou Camilo Santana.
Os homenageados foram reconhecidos em cinco diferentes graus: Grã-Cruz, Grande Oficial, Comendador, Oficial e Cavaleiro.
A entrega da Ordem Nacional do Mérito Educativo faz parte das ações de comemoração dos 95 anos do MEC, celebrados nesta sexta-feira (14). Durante todo ano de 2025, a pasta tem realizado atividades para celebrar a trajetória do MEC, marcada por avanços e conquistas que transformaram a vida de milhões de brasileiros.